Os Guarani Mbyá

Assim como as flores que atraem os pássaros e os insetos, possibilitando a formação de frutos e sementes que germinarão novas plantas, as belas palavras dos meus avós encantam meu pensamento: cores harmoniosas, aromas agradáveis e saboroso néctar.

No chão batido dos pátios ou no interior de nossas moradas, nos sentamos ao redor do fogo que nunca se apaga – há sempre alguém alentando as chamas inspiradoras com sopros e pequenos galhos –, e realçados pelas labaredas ouvimos, junto com o cocoricar dos galos, o guinchar dos bugios, o crepitar dos gravetos... as falas inspiradas dos anciãos sobre seus conhecimentos, lembranças, experiências.

Para nós, os que partilham a existência terrena, a transmissão de conhecimentos tem lugar privilegiado nos aconselhamentos dos velhos, inspirados pelos deuses, pois Eles se enfeitam e enfeitam o mundo. Suas falas são moderadas, agradáveis, plenas de cuidado, pronunciadas para fazer brotar bons e belos efeitos, voltadas para o bem-estar daqueles com quem se vive junto.

Vivemos baseados nos princípios da generosidade e da reciprocidade, que chamamos de mborayu. Viver na generosidade, compartilhando o excedente é viver com alegria e beleza. Alegrar-se não é divertir-se, é estar tranquilo e saudável, com disposição para algum afazer e para o convívio com aqueles que estão por perto. Um mundo sem parentes é impensável. O simples, o moderado é belo, porã, e divino. Negar o excesso é entendido como um valor prescrito pelos deuses. O que é bonito assim o é porque se assemelha aquilo que é divino ou porque é mesmo divino.

Meu nome é Vherá Poty, relâmpago florido, sou Guarani-Mbyá.

Os velhos falam, eu escuto.

Sobre o projeto:

Em 2008, Danilo Christidis começou a visitar Vherá Poty em sua aldeia a fim de ensiná-lo a fotografar. Não demorou muito para que os papeis se invertessem. Poty se mostrou um fotografo muito talentoso e então passou a ensinar Danilo a como perceber sua comunidade, sua cultura, costumes e formas de pensar o mundo. Certa vez ele disse a Danilo: “Vamos te receber como uma criança, que precisa ser ensinada a perceber o mundo como nós percebemos. Existem muitas coisas invisíveis pra ti, aos poucos elas se tornaram visíveis“. Após 7 anos convivendo com cerca de 15 comunidades, o projeto originou um livro quadrilingue e uma exposição fotográfica, ambos lançados em agosto 2015.

Entrevistas:

http://www.nonada.com.br/2015/09/vhera-poty-o-grande-desafio-hoje-e-desconstruir-a-ideia-generica-que-se-tem-sobre-os-indigenas/

http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/noticia/2015/08/os-guarani-mbya-apresenta-fotografias-de-aldeias-indigenas-do-estado-4824851.html

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Livro Os Guarani Mbyá

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