Território Intangível

Perú - 2016

 

A modificação do corpo pela geografia, a condução do pensamento ao sonho, o som da respiração ofegante, a hiperoxigenação do cérebro no ar rarefeito, fome, sede, encantamento... Qual o limite entre o corpo e um lugar? Quais relevos ficam aparentes pelas linhas do que vemos e quais desaparecem? 

O real é composto de representações, estados de coisas, objetos estáveis, visíveis e delineáveis, representáveis, mas também de forças, processos, imprecisões. E se “território” não fosse um lugar mas um acontecimento, sensações? Um agenciamento entre “bordas” e formas que se modificam pela relação, a contaminação contínua entre uma série de delineamentos, sejam eles corpos, espaços, sons, emoções ou trajetos.  Um limite que se expande e se contrai, alterna-se a medida que os afetos transitam, tornando o território outro, tornando-o intangível.

Neste aparente delírio consiste a chave que possibilita se aproximar do modo de pensar do antigo homem andino. Todo o território se move, é vivo, interage e é dotado de afetos.

Território intangível é um recorte poético do testemunho que oscila entre físico e o metafísico, realizado durante a documentação de uma expedição arqueológica em julho de 2016, na selva e cordilheira peruana que busca pela região habitada pelos Incas para escapar dos espanhóis.

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